O espelho quebrado da branquidade: aspectos de um debate intelectual, acadêmico e militante

Adevanir Aparecida Pinheiro 33 tratadas no seu teor científico e metodológico, e como estabeleceram os espaços de reproduções e ampliações dessas teorias. É de ampla relevância o resgate da contribuição dos cientistas de um passado remoto e o entendimento a que tipo de processo as teorias sociais raciais vieram sendo cotejadas. Denota-se que esses cientistas pareciam estar embebidos de autoritarismos e de racismos perpétuos e celebrados no bojo da ciência. Muitas vezes os próprios cientistas nem tiveram ideia do estrago e problemáticas que estavam se preparando no sentido do esmagamento de culturas e etnias. Um destes conceitos está baseado no conceito de raça. Muitos preconceitos hoje existentes ampliaram as diretrizes das relações sociais e raciais no mundo inteiro. A racialização e o racismo são produtos das ideologias deste contexto de aprofundamento do conceito de raça. Afirma Munanga: Na mistura, as distinções de raças engendram múltiplas castas sociais; finalmente, o sentido aristocrático e o sentido da superioridade da raça cedem lugar à degenerescência democrática e ao senso de igualdade. A raça branca possuía originalmente o monopólio da beleza, da inteligência e da força. (MUNANGA, 1999, p. 43) Muitos outros autores se centraram neste conceito. Elevando o seu grau de deturpações ideológicas, os próprios cientistas se viam como patenteadores dos conceitos postos como benefícios de uma “raça” ou de uma “etnia” sobre a outra. Munanga apresenta uma das essências de Gobineau argumentando que: Essa é essência da filosofia da história de Gobineau. A raça suprema entre os homens é a raça ariana, da qual os alemães são os representantes modernos mais puros. Os po-

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