Ecologia Integral: abordagens (im)pertinentes - volume 3

Filosofia Ecológica Integral: ampliando a reflexão 149 necessidade urgente, percebemos grandes dificuldades contemporâneas para a fundamentação sólida do reto agir. Atualmente, enfrentamos uma crise dos juízos morais em que os referenciais absolu- tos perderam sua força, e em que fundamentações éticas metafísico-teo- lógicas e deontológicas estão desacreditadas. Vivemos um momento em que nos restam moralidades sem essência e a tentativa precária de se unir inúmeras comunidades morais. Diante de tão grande pluralismo, tornou-se notório que o discurso moral contemporâneo esteja fragmen- tado, pondo-nos à beira do niilismo (DETTONI, 2017, p. 102). Elemento cultural agravante a essa situação é o individualismo, aqui entendido como “[...] postura, tanto teórica quanto prática, que privilegia o indivíduo, seu juízo e seus interesses como referências basilares para a consideração sobre o bem e para ação na esfera social” (DETTONI, 2017, p. 48). Nesse sentido, Francisco assevera que as pessoas no mundo pós-mo- derno “[...] correm o risco permanente de se tornar profundamente indivi- dualistas, e muitos problemas sociais de hoje estão relacionados com a busca egoísta duma satisfação imediata, com as crises dos laços familiares e sociais, com as dificuldades em reconhecer o outro” (LS, 162). Tal egoísmo ético sustenta que a única obrigação moral do indivíduo seria conquistar a maior parcela de bem para si mesmo. Mais especificamen- te em relação à temática ecológica, podemos identificar o individualismo ambiental, que se estrutura a partir de um tipo de juízo “[...] no qual tudo o que não serve os próprios interesses imediatos se torna irrelevante. Nisto, há uma lógica que permite compreender como se alimentam mutuamente diferentes atitudes, que provocam ao mesmo tempo a degradação ambiental e a degradação social” (LS, 122). Como resposta a esse cenário, a Laudato Si’ estabelece que “a ecolo- gia integral é inseparável da noção de bem comum, princípio este que de- sempenha um papel central e unificador na ética social” (LS, 156). Temos, assim, a constatação de que uma ética de cunho ecointegral deve se apre- sentar, portanto, como superadora do reducionismo individualista, e pro- motora de uma solidariedade responsável, em especial com os mais pobres e fragilizados. Nas condições actuais da sociedade mundial, onde há tantas desigual- dades e são cada vez mais numerosas as pessoas descartadas, privadas dos direitos humanos fundamentais, o princípio do bem comum tor- na-se imediatamente, como consequência lógica e inevitável, um apelo

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