Os desafios jurídico-ambientais do uso de agrotóxicos

129 Raquel Von Hohendorff, Daniele Weber S. Leal e Wilson Engelmann 1128). Em outro estudo restou demonstrado que a exposição a nanotubos de carbono aumentou a vulnerabilidade à absorção de poluentes em plantas de trigo (WILD; JONES, 2019). Alguns nanomateriais podem prejudicar o funcionamento ou ciclos reprodutivos das minhocas (SCOTT-FORDSMAND et al., 2008, p. 616-619), que desempenham um papel fundamental na ciclagem de nutrientes que sustenta a função do ecossistema. As minhocas são utilizadas com frequência para testar a toxicidade no solo porque estão constantemente processando o conteúdo do solo e são consumidos pelos grandes vertebrados. Alémda grande importância de microrganismos do solo, bem como a sua diversidade e a falta de investigações claras sobre a toxicidade dos nanomateriais ou outros impactos negativos sobre estes microrganismos demonstra a necessidade de mais atenção nesta questão. Portanto, a comunidade de pesquisa precisa de se concentrar na compreensão da reatividade, mobilidade, destino, persistência e efeitos dos nanomateriais em ecossistemas terrestres (JAFAR; HAMZEH, 2013, p. 86-92). Para ser sustentável para a agricultura, os nanoagroquímicos não devem prejudicar a cadeia alimentar complexa de fungos, nematoides, bactérias, protozoários, microartrópodos, macroartrópodos, entre outros organismos que são administradores da saúde do solo. Assim, resta claro que os nanoagroquímicos podem estar sendo agentes geradores de problemas ecológicos ainda maiores que os químicos que substituem, pois podem deixar resíduos mais persistentes e criar novos tipos de contaminação de solos e águas e na cadeia alimentar, assim como podem ter efeitos tóxicos contra as espécies não alvo. E se forem biopersistentes, se lidará com uma nova forma de contaminação perigosa de solos e águas. Faz-se necessário que haja anteriormente muitos testes, a fim de assegurar a qualidade dos produtos a serem consumidos. Se existe a incerteza sobre as consequências da técnica, por que se precisa ir tão rápido? (LAPA, 2002, p. 217). Mas a tomada de riscos é um elemento essencial de uma sociedade inovadora e de uma economia dinâmica. A adoção dos riscos exige análise científica, diálogos em todos

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