A saúde mental em evidência: narrativas de um caminho utópico

81 Jéssika Ferreira de Lima e Rafaela Pereira Silva lógicos às novas gerações profissionais para tornar-se a formação de um quadro de militantes do setor da saúde na execução de um projeto de sociedade e de um projeto tecnoassistencial de saúde correspondente a esse projeto de sociedade, fundamentalmente uma sociedade de cidadãos, onde a saúde se relacionasse amplamente com a qualidade de vida e trabalho. Profissionais detentores, portanto, de habilidades, conhecimentos e valores capazes de fazer funcionar um sistema de saúde relativo à vida de todas as pessoas, estando a qualidade de vida na antecedência de qualquer padrão técnico a apreender ou a exercer. Independentemente de militância, entretanto, o ordenamento da formação de profissionais de saúde deveria passar pela produção do entendimento sobre que mundos estavam em disputa na conquista do Sistema Único de Saúde (CECCIM; FERLA, 2008, p. 3). É fato que a qualidade e a atenção ao cuidado são resultados de uma série de determinantes, como as condições mínimas para o trabalho, incluindo-se aqui espaço físico adequado, materiais necessários e recursos humanos. No entanto, um dos fatores de extrema relevância no que diz respeito às condições com que se materializam as práticas em saúde está no processo formativo das e dos profissionais que nela atuam, sendo este o foco da Educação Permanente em Saúde. É neste sentido que se regulamentam os Programas de Residência Multiprofissional em Saúde em 2005, com a proposta de formação em serviço em uma perspectiva de “qualificação de trabalhadores às necessidades de saúde da população” (BRASIL, 2009, p. 5). A Portaria 278/2014 descreve em seu Art. 2º os desafios postos para a educação permanente em saúde, entendendo que esta se configura como a “aprendizagem no trabalho, onde o aprender e o ensinar se incorporam ao cotidiano das organizações e ao trabalho, baseando-se na aprendizagem significativa e na possibilidade de transformar as práticas dos trabalhadores da saúde”, sendo que ao caracterizar o que se entende por aprendizagem significativa, descreve qual o desafio que os Programas de Residência encontram junto às suas instituições formadoras, referindo que este processo de aprendizagem deve se dar de forma que propicie “[...] a construção de conhecimentos a partir dos saberes prévios dos sujeitos articulados aos problemas vivenciados no trabalho” (BRASIL, 2014). Desta forma, entende-se que este processo formativo está intrinsecamente relacionado a questões políticas e pedagógicas, vivenciadas e ressignificadas no cotidiano do trabalho em saúde, articulando-se em um processo dialético.

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